Pré-história portuguesa ao RX

Mar 31

73 anos depois a radiologia aproximou-nos mais da verdade de Outubro de 1934.

A Placa Antropomórfica da Anta do Espadanal é uma peça especial da pré-história portuguesa e do Museu Nacional de Arqueologia (MNA). Está classificada como “de interesse nacional”.

Foi descoberta na freguesia de St. Estevão, em Estremoz, em 4 de Outubro de 1934, durante a escavação da Anta do Espadanal, efectuada sob a responsabilidade do MNA.

Não há nenhuma referência às condições ou estado do achado e pouco se sabe dela desde o início. Não tinha número de inventário e não constava dos livros de entrada ou dos ficheiros do Museu. Pairavam sobre ela histórias vagas de que estaria "danificada e restaurada", mas sem qualquer documentação ou dados de suporte.

Em Março de 2007, e a pedido do então Diretor do MNA, Dr. Luis Raposo, é pela primeira vez realizado o seu estudo por Raios X Digital e por TAC, com imagens tão interessantes como espectaculares.

Placa Megal anta espadanal fig2

Fig.1: imagens por radiografia digital (invertida), por reconstrução MIP de TAC e por reconstrução 3D de TAC.

Resultados:

grande fragmentação, com 15 fragmentos originais, e cerca de 20% da placa desaparecidos,

restauro de grande perícia, por profissional muito experiente, com 4 materiais distintos, em cuidadas aplicações seriadas.

Em material cerâmico como o grés, esta fragmentação é tipicamente resultante de um forte impacto, muito focalizado. Teve origem no seu terço médio e lateral direito e na sua face dorsal, literalmente “pulverizando” essa zona. É um padrão que exclui fratura por queda acidental. Sem outras causas admissíveis para os achados, a mais forte hipótese é a de um erro grave de trabalho de escavação em arqueologia, o impacto de uma picareta.

Impressão final:

No dia da sua descoberta esta importante peça arqueológica sofreu graves danos. Perante o embaraço do acidente, a tentação de ocultar o sucedido, e de secretamente a restaurar, terá prevalecido sobre a verdade dos factos.

Após 73 anos de mistério, a radiologia proporcionou não só uma excecional caracterização do estado da peça e do seu restauro, como nos terá aproximado mais da verdade de Outubro de 1934.

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